Sobre Lourival de Jesus Serejo Sousa

Lourival de Jesus Serejo Sousa, Nascido em Viana (MA), Bacharel em Direito Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em 1976, foi advogado e promotor de justiça, é Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Como Juiz de Direito, serviu nas comarcas de Arari, Brejo, Imperatriz e São Luís, onde foi juiz auditor da Justiça Militar, juiz da 3ª Vara da Família, juiz corregedor, membro do Tribunal Regional Eleitoral e diretor da Escola Superior da Magistratura (Esmam), da qual é professor. Iniciou sua carreira literária em 1992, em Imperatriz, com "O Presépio Queimado", sua primeira obra. Livros publicados: Rua do Porto, Contribuições ao Estudo do Direito, Direito Constitucional da Família, Do Alto da Matriz, O Baile de São Gonçalo, As Provas Ilícitas no Direito de Família, Programa de Direito Eleitoral, A família partida ao meio. Membro da Academias Maranhense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, Vianense de Letras e Imperatrizense de Letras.. Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família.

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Ele passou a vida inteira colecionando selos, gastando dinheiro com a compra de cartelas inteiras de selos novos. Sua coleção de selos nacionais e estrangeiros era perfeita, sob todas as exigências técnicas. Os álbuns foram-se multiplicando até chegar a dezenas. Ali estava um investimento de dinheiro,de tempo e de prazer.

Vieram a velhice e as doenças. E agora, o que fazer com sua preciosa coleção? Filhos e netos não querem saber de selos. O que será da minha coleção? angustia-se o filatelista nonagenário. Angústia e melancolia tomam conta dele. Lembra-se, então, de alguém que é um filatelista cuidadoso, mais jovem, em quem pode confiar. Chama-lhe e oferece a ele sua coleção. Tome-a, diz ele, assim ficarei descansado de que meus selos estarão em boas mãos.

O amigo fica perplexo com a oferta, pois sabia do zelo daquele colecionador. Mas aceita, sem saber o que dizer.

Em casa, fica abatido com aquela situação, ao constatar que, no futuro próximo, também não saberá o que fazer com a sua coleção. Então, comprovou que essa atividade é uma prática em extinção. São tantas ofertas no mundo moderno, que ninguém vai querer mais concentrar-se numa coleção de selos. Afinal, até as cartas já são raridades. Há quanto tempo você não manda e não recebe uma carta? Aliás (para os menores de quarenta anos), você já mandou ou recebeu alguma carta?

O mais melancólico é que essa mesma situação já está acontecendo com os livros. Quem tem sua biblioteca em casa, fique logo sabendo que seus livros possivelmente acabarão nos sebos (quase sempre as viúvas detestam os livros), uma vez que não encontrará quem os compre ou quem os queira de graça.

Dedicar-se a formar uma biblioteca particular é uma atividade duradoura, com a paciência de garimpeiro. Cada exemplar adquirido tem uma história, uma motivação, daí o apego do seu dono em manter aquele acervo junto de si e preocupar-se com seu fim.

Em São Paulo, é comum doarem-se grandes bibliotecas particulares para a USP. Assim aconteceu com a biblioteca de Delfim Neto e a do falecido José Midlin, que foi o mais respeitado bibliófilo brasileiro, chegando a investir grande parte de sua fortuna na aquisição de obras raras.

Acompanhei o drama de Jomar Moraes, muito tempo antes de sua morte, diante dos seus mais de vinte mil livros. Ainda bem que morreu sem essa preocupação, pois decidiu, com antecipação, fazer doação da sua biblioteca para a UFMA.

No mundo dos novos valores que impulsionam os jovens, não há mais lugar para selos, livros e outras preferências dos pais e avós. Você já viu alguma propaganda de apartamento, por maior que seja, referir-se a ambiente para instalar uma biblioteca? A prática que já se tornou rotina é, antes de mudarem-se para os apartamentos, descartarem os livros. Fico imaginando com crescerão esses filhos de apartamentos sem livros à sua volta, muito diferente do que recordava Sartre: "Comecei minha vida como hei de acabá-la, sem dúvida: no meio de livros. No gabinete do meu avô, havia-os por toda parte".

O destino de muitos escritores foi definido pela existência de uma biblioteca em suas casas. Quando a criança ou o adolescente descobrem que ali está a oportunidade de viver grandes aventuras e adquirir muitos conhecimentos, conquistam uma nova opção de lazer. Sem leitura, as mentes permanecem obtusas.

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