Sobre Lourival de Jesus Serejo Sousa

Lourival de Jesus Serejo Sousa, Nascido em Viana (MA), Bacharel em Direito Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA), em 1976, foi advogado e promotor de justiça, é Desembargador do Tribunal de Justiça do Estado do Maranhão. Como Juiz de Direito, serviu nas comarcas de Arari, Brejo, Imperatriz e São Luís, onde foi juiz auditor da Justiça Militar, juiz da 3ª Vara da Família, juiz corregedor, membro do Tribunal Regional Eleitoral e diretor da Escola Superior da Magistratura (Esmam), da qual é professor. Iniciou sua carreira literária em 1992, em Imperatriz, com "O Presépio Queimado", sua primeira obra. Livros publicados: Rua do Porto, Contribuições ao Estudo do Direito, Direito Constitucional da Família, Do Alto da Matriz, O Baile de São Gonçalo, As Provas Ilícitas no Direito de Família, Programa de Direito Eleitoral, A família partida ao meio. Membro da Academias Maranhense de Letras, Maranhense de Letras Jurídicas, Vianense de Letras e Imperatrizense de Letras.. Membro do Instituto Brasileiro de Direito de Família.

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Lourival Serejo

Se perguntássemos a qualquer brasileiro onde está a sabedoria de Neymar, com certeza diriam que está nos pés, na sua agilidade como jogador. É contrariando a essa óbvia conclusão que venho falar do pescoço de Neymar, onde está inscrita sua lição de sabedoria.

Quem assistiu às sucessivas entrevistas dadas por nosso atleta maior, durante a Copa do Mundo, deve ter observado que, no pescoço dele, está gravada a expressão: Tudo passa.

Para quem foi glorificado pela agilidade dos seus pés, trazer uma lição desse jaez, no pescoço, merece mais um elogio e o reconhecimento de que o garoto tem os pés no chão, não só nos gramados em que se debate com a bola, mas também no terra a terra da realidade.

Fiquei imaginando toda vez que ele se vê no espelho, após uma partida em que foi a estrela; após receber um prêmio; após ouvir os aplausos da rua; toda vez que ele lê aquela frase pelo espelho, vai ter consciência de que nada dura para sempre, inclusive sua glória. Talvez nessa precoce lição que tomou para si esteja a humildade presente em suas entrevistas e em seus relacionamentos com os amigos.

Essa evocação da inscrição do pescoço de Neymar remete para um episódio histórico remoto, lá na antiga Roma, no tempo dos césares.

Quando um general romano chegava vitorioso de um campo de batalha, deixava seu exército nas proximidades da cidade, subia numa biga (carro com duas rodas puxado por dois cavalos) e entrava triunfante em Roma, sob os aplausos da multidão, até ser recebido pelo soberano da ocasião. Ao lado do herói romano, iam dois escravos. Um dirigia o veículo e o outro ficava repetindo ao seu ouvido: Lembra-te que és mortal (Memento mori). Aquela advertência do escravo era para lembrar ao general de que o poder e a glória são efêmeros; que a vaidade é uma fraqueza que inebria os incautos.

Quem ainda não observou passe a reparar a tatuagem de Neymar. Vale a pena apoderar-se da mensagem que ela contém e deixar de preocupar-se com qualquer coisa. Aliás, nossos avós já empregavam uma variação dessa locução, no dia a dia, sempre que recebiam uma queixa de um filho: Quando casar passa. Quem se lembrar do célebre romance de José de Alencar, Iracema, recordará que ele termina com esta afirmação lapidar: Tudo passa sobre a terra. O alarmante é que nesse “tudo” está a própria vida.

Para os desprezados por seu amor, para os que ficaram depois de uma separação, de uma viagem, é um consolo agarrar-se a essa verdade. Os mais nostálgicos podem ouvir, na voz de Altemar Dutra, essa lição de alcance popular, em forma de canção.

Em tempo de pós-copa, já passaram Felipão, o vexame do 7 a 1, o sonho do hexa, os elogios exagerados aos jogadores, as lágrimas, os sorrisos, o medo das manifestações, e tantas e tantas outras coisas, como uma corrente soberba de um rio caudaloso de fatos e fatos, a confirmarem que Neymar, que quase passava de vez, pelo efeito da joelhada de Zúñinga, tem razão em não querer se esquecer de que Tudo Passa. 

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