Sobre Carlos Nina

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Algumas provas são apenas amontoados de pegadinhas, desvirtuadas de sua verdadeira finalidade: aferir o conhecimento do aluno ou do candidato sobre o tema de que tratam.
Em alguns casos, as questões deveriam ser nulas porque as pegadinhas se baseiam no rigor de normas que elas mesmas violam, por ignorância (falta de conhecimento) ou desatenção de quem as elaborou.
Convidado para falar em audiência pública no Senado sobre o Exame de Ordem - que é um exemplo típico e emblemático de prova que não cumpre sua finalidade -, citei o caso de uma dessas questões que deveriam ser nulas, não só por ser pegadinha, mas porque violava sua própria regra. A resposta seria um habeas corpus perante a Justiça do Trabalho.
O Exame de Ordem, inclusive por definição contida no cabeçalho da prova, objetivava o conhecimento do candidato sobre atos privativos da rotina do advogado.
A questão representava o suprassumo da estupidez, senão da maldade impiedosa e burra, com o devido respeito ao animal que inspirou o adjetivo.
Primeiro, habeas corpus não é ato privativo do advogado. Qualquer pessoa pode impetrar um habeas corpus.
Segundo, habeas corpus perante a Justiça do Trabalho não é rotina. É exceção.
Era uma pegadinha porque essa exceção, com certeza, nem é ensinada nas faculdades e os candidatos seriam induzidos a dizer que a medida seria tomada perante um juízo criminal.
Mas a pegadinha era um tiro no pé porque, ainda que o habeas corpus na Justiça do Trabalho fosse rotineiro, extrapolava os limites por ela mesma exigidos: a peça não era ato privativo de advogado.
Mais recentemente soube de uma escola em que foi proposta uma questão na qual os alunos deveriam completar uma frase usando o verbo correto: cassar ou caçar.
A frase era a seguinte:
"A ditadura ...... muitos políticos de oposição."
Quem respondeu “caçou” teve a questão considerada errada.
Errada, porém, foi tal avaliação, porque as ditaduras, como prova a história delas em vários países, caça mesmo políticos de oposição.
E hoje, o que se percebe, é que muitas pessoas gostariam mesmo era de caçar políticos, porque cassar seus mandatos não resolve nada.
Voltam à caça de votos para se locupletar, sem medo de serem cassados.
Responder, então, caçar políticos, não é uma construção errada. E nunca esteve tão atualizada!
Considerar errada a resposta em questão é, inclusive, cassar o direito de opinião. Daí a caçar as pessoas é uma questão de tempo.
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