Benedito Bogéa Buzar

Imagens SIT CON Autores Benedito Bogéa BuzarNasceu em Itapecuru-MA, a 17 de fevereiro de 1938. Filho de Abdala Buzar Netto e Deonila Bogéa Buzar. Após cursar em São Luís o Colégio Maranhense, dos Irmãos Maristas, e o Colégio Estadual do Maranhão (Liceu), ingressou na Faculdade de Direito do Maranhão, pela qual é bacharel. Jornalista, advogado, professor, pesquisador. Manteve, no Jornal do Dia, a coluna diária Roda Viva, que assinava sob o pseudônimo de J. Amparo, e que foi, em seu tempo, a mais prestigiosa de São Luís. Atualmente voltou a escrever, sob seu próprio nome no suplemento Alternativo, do jornal colaborador dos jornais O Imparcial, O Jornal, Jornal do Dia, O Debate, O Estado do Maranhão, e das revistas Garota de São Luís, Projeção. Impacto e Legenda, da qual também foi secretário. 

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Na segunda metade do século passado, a vida social em São Luís, no tocante à diversão e entretenimento, movia-se com bastante fluidez e girava em torno de três expressivos clubes sociais – Grêmio Lítero Recreativo Português, Cassino Maranhense e Clube Recreativo Jaguarema, bem organizados e estruturados, com centenas de sócios-proprietários e contribuintes, sedes próprias e programações festivas e recreativas variadas, muitas das quais inesquecíveis como as carnavalescas e as juninas.

Dos três clubes, apenas o Grêmio Lítero ainda respira, mas sem a movimentação e o dinamismo dos anos dourados da sociedade ludovicense. O Cassino Maranhense e o Clube Jaguarema há anos deixaram de existir, mas ficaram na memória de gerações.

Se o Lítero Recreativo continua em atividade, deve-se indiscutivelmente a uma figura de relevo, do ponto de vista humano, intelectual e profissional, chamada Carlos Nina, que, à frente de um reduzido, mas atuante grupo de raízes lusitanas, luta desesperadamente para não deixá-lo soçobrar.

Com esse objetivo, vem promovendo eventos e lançando projetos, para motivar os associados e mostrar à sociedade que o clube saberá enfrentar as dificuldades e as incertezas.

Um dos projetos com o nome de “Fênix”, destina-se a resgatar a história do clube e dos portugueses e brasileiros que o administraram, bem como de seus sócios que se distinguiram na vida política, econômica ou cultural do Maranhão.

Nesse particular, o ex senador José Sarney, em artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão, relatou que quando começou a escrever versos, recitou, num  sarau no Lítero, alguns poemas de sua autoria.

A minha geração, por exemplo, guarda do Grêmio Lítero Recreativo Português as melhores e mais saudáveis recordações. Na sede social do clube, desfrutamos, enquanto jovens, de momentos prazerosos e de enlevo, que jamais olvidaremos.

São lembranças que afloram por conta da feliz iniciativa do clube de promover, na década de 1950, aos domingos, excelentes festas dançantes, que começavam às primeiras horas da noite e terminavam antes da zero hora.

Conhecidas, também, por tertúlias, destinavam-se a um público eminentemente jovem. Durante bons anos, pontificaram na cidade, tendo como grande incentivador o colunista social do Jornal do Povo, Benito Neiva, o pioneiro em São Luís na arte de relatar, sem malícia, o que acontecia nos salões do Grêmio Lítero.

As tertúlias tinham um ritual. Aos domingos, por volta das 17h, moças e rapazes ocupavam a Avenida Pedro II, onde as moças faziam o footing em torno do viaduto, e os rapazes, recostados na murada do próprio viaduto, assistiam com os olhos bem abertos aquele desfile de elegância e de beleza feminina.

Após o passeio vespertino, os jovens rumavam para a sede social do Lítero, onde os diretores do clube os esperavam, mas exigiam a apresentação de carteiras de associados. Aos que não desfrutavam desse privilégio, o acesso se dava por meio de convites, não tão fáceis de conquista.

Às 19h, o salão do clube estava literalmente tomado por rapazes e moças. Algumas se faziam acompanhar das mães, que de olhos bem abertos e fixos nos rapazes, procuravam intimidá-los a não avançar o sinal, evitando, assim, os maledicentes sarros, como se dizia na época.

Sarros à parte, muitos romances construídos naquelas tertúlias chegaram a se materializar em noivados e casamentos. Alguns bem-sucedidos, outros, nem tanto.

As tertúlias não eram animadas por som eletrônico, mas por orquestras ou conjuntos musicais, destacando-se o de “Nonato e seu conjunto”. Foi o Lítero que deu o passaporte para o jovem músico itapecuruense se projetar no cenário artístico.

Quem costumava cantar naquelas festas era a garota Alcione Nazaré, que dava show como vocalista da banda musical, da qual o seu genitor, João Carlos, era o maestro. Do Lítero, Alcione partiu para o Rio de Janeiro, onde, inicialmente, ganhou nome como cantora da noite. Mas, graças ao talento e à magnífica voz, alcançou a glória merecida.

(Transcrito do jornal O Estado do Maranhão, edição de 28 e 29 de outubro de 2017)

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