Sobre Alexandre Maia Lago

Captura de tela de 2017 06 28 00 10 21ALEXANDRE MAIA LAGO é advogado graduado pela UFMA desde 1993. Um apaixonado por história, filosofia e literatura, possui uma coluna dominical no Jornal Pequeno dedicada a assuntos literários.

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   Lima, nos anos 90, vive o auge da turbulência política e social que devasta o país, acossada pelo terrorismo de esquerda dos Tupac Amaru e Sendero Luminoso e sob a ditadura de Alberto Fugimori.

            Luciano é um advogado renomado, e seu amigo de infância, Enrique Cárdenas, milionário empresário do ramo da mineração. Suas respectivas esposas, Chabela e Marisa, são, igualmente, muito amigas. E os quatro desfrutam, juntos, de uma agitada vida social, com o conforto e privilégios da elite limenha, observando, com certa indiferença, o caos ao redor.

            Durante visita habitual de Chabela a Marisa, elas se distraem e percebem tarde demais que o tempo passou além do horário do toque de recolher imposto pelo governo aos cidadãos. Chabela, então, dorme na casa da amiga. Nada demais. Novidade mesmo foi a nova situação ao acordarem após uma noite iniciada com suaves distrações que as levou a ter uma inesperada relação amorosa. Surpreendente e improvável. Até então. Esse é o ponto de partida da história.

            Rolando Garros é dono de um jornal que funciona como uma espécie de caixa eletrônico para socorrer as necessidades financeiras, só que mediante extorsão. A filosofia jornalística de Garros se baseava na difamação ou exaltação de reputações, a depender do cachê. Um dia, o recatado e conservador Henrique Cárdenas recebe a visita do jornalista que, após rodeios, surge com umas fotos tiradas dois anos antes, onde se vê o renomado empresário a participar de uma festa com características, digamos, da Roma Antiga, com adaptações andinas. Cárdenas se recusa a lhe dar dinheiro. Então, Garros, para manter-se ético aos seus princípios, publica as fotos. Escândalo nacional.

            Poucos dias depois, Garros é encontrado morto com sinais de brutal violência. Naturalmente, as suspeitas recaem sobre o empresário poderoso, embora o rol de vítimas do jornalista fosse amplo.

            Num sistema policial e judicial corrupto e injusto, acha-se logo, num inocente, um culpado – um pobre e velho declamador de poesias, cuja carreira artística havia sido destruída pelo jornalista. Agora, sofrendo de demência senil avançada, “assume” a autoria do assassinato, sendo, em seguida, internado numa clínica psiquiátrica. Tudo resolvido.

            Enquanto essas coisas se desenrolam, Chabela e Marisa rolam, ora num fim de semana de compras em Miami, ora em Lima, onde colocam a conversa em dia nos vapores de uma boa sauna. No decorrer, para espantar a monotonia, integram Enrique Cárdenas em seu relacionamento, agora indiscutivelmente ímpar.

            No fim, fica no ar se o triângulo amoroso foi descoberto pelo amigo Luciano, dando a entender, até, a possibilidade de ter se tornado um quarteto...                

Apelação e política

             Uma boa narrativa para o pior livro de Vargas Llosa, sem qualquer dúvida. Nem de longe se reconhece o autor de A Guerra do Fim do MundoPantaleão e as Visitadoras, A Festa do Bode e Conversas na Catedral.

Mesmo os grandes escritores cedem à pressão editorial, que os levam a escrever sem grandes apuros em nome do mercado e dos cifrões. Mas, quando se alcançou o patamar de um Nobel, como é o caso, não há necessidade disso, imagino, talvez incorrendo em ingenuidade. E para o nosso idioma parece uma providência zombeteira dos deuses da literatura a coincidência de num enredo bastante picante ter um personagem chamado Rolando Garros...

Se era para resgatar o cenário político de seu país à época, ficou a desejar, pois algumas passagens são absolutamente inverossímeis. Por exemplo: o maior minerador do país, empresário de relações pessoais poderosas e dos círculos presidenciais, sem qualquer prova, vai parar na cadeia com presos comuns, em razão de uma simples declaração de uma assessora de um jornal de fofocas e escândalos.

            Mais emocionante que o livro foi mesmo aquela quadra da história peruana, quando os fanáticos seguidores de Abimael Guzman e seu Sendero Luminoso resolveram fazer a Revolução da Quarta Espada desatando uma sangrenta onda terrorista na qual milhares morreram, e o prejuízo material foi astronômico. Havia, ainda, os Tupac Amaru, liderados por Vitor Polay. Era o caos.

            Foi, então, que surgiu um aparentemente despretensioso engenheiro de ascendência japonesa, Alberto Fugimori. Eleito presidente, cedeu à tentação de atender ao clamor popular por um “homem forte” para “botar ordem na casa”. Deu um golpe e passou a governar pela confortável via do decreto.

            O fim disso nem de longe se reconhecia na euforia inicial: desordem econômica, social e rastro de sangue. Bem América Latina.

            Vargas Llosa foi o candidato derrotado naquelas eleições em que era o favorito. Por esse mau livro sobre aquela época, pode-se dizer que, uma vez mais, Fugimori o derrotou.

 

Lima, nos anos 90, vive o auge da turbulência política e social que devasta o país, acossada pelo terrorismo de esquerda dos Tupac Amaru e Sendero Luminoso e sob a ditadura de Alberto Fugimori.

            Luciano é um advogado renomado, e seu amigo de infância, Enrique Cárdenas, milionário empresário do ramo da mineração. Suas respectivas esposas, Chabela e Marisa, são, igualmente, muito amigas. E os quatro desfrutam, juntos, de uma agitada vida social, com o conforto e privilégios da elite limenha, observando, com certa indiferença, o caos ao redor.

            Durante visita habitual de Chabela a Marisa, elas se distraem e percebem tarde demais que o tempo passou além do horário do toque de recolher imposto pelo governo aos cidadãos. Chabela, então, dorme na casa da amiga. Nada demais. Novidade mesmo foi a nova situação ao acordarem após uma noite iniciada com suaves distrações que as levou a ter uma inesperada relação amorosa. Surpreendente e improvável. Até então. Esse é o ponto de partida da história.

            Rolando Garros é dono de um jornal que funciona como uma espécie de caixa eletrônico para socorrer as necessidades financeiras, só que mediante extorsão. A filosofia jornalística de Garros se baseava na difamação ou exaltação de reputações, a depender do cachê. Um dia, o recatado e conservador Henrique Cárdenas recebe a visita do jornalista que, após rodeios, surge com umas fotos tiradas dois anos antes, onde se vê o renomado empresário a participar de uma festa com características, digamos, da Roma Antiga, com adaptações andinas. Cárdenas se recusa a lhe dar dinheiro. Então, Garros, para manter-se ético aos seus princípios, publica as fotos. Escândalo nacional.

            Poucos dias depois, Garros é encontrado morto com sinais de brutal violência. Naturalmente, as suspeitas recaem sobre o empresário poderoso, embora o rol de vítimas do jornalista fosse amplo.

            Num sistema policial e judicial corrupto e injusto, acha-se logo, num inocente, um culpado – um pobre e velho declamador de poesias, cuja carreira artística havia sido destruída pelo jornalista. Agora, sofrendo de demência senil avançada, “assume” a autoria do assassinato, sendo, em seguida, internado numa clínica psiquiátrica. Tudo resolvido.

            Enquanto essas coisas se desenrolam, Chabela e Marisa rolam, ora num fim de semana de compras em Miami, ora em Lima, onde colocam a conversa em dia nos vapores de uma boa sauna. No decorrer, para espantar a monotonia, integram Enrique Cárdenas em seu relacionamento, agora indiscutivelmente ímpar.

            No fim, fica no ar se o triângulo amoroso foi descoberto pelo amigo Luciano, dando a entender, até, a possibilidade de ter se tornado um quarteto...

                                      

Apelação e política

            Uma boa narrativa para o pior livro de Vargas Llosa, sem qualquer dúvida. Nem de longe se reconhece o autor de A Guerra do Fim do MundoPantaleão e as Visitadoras, A Festa do Bode e Conversas na Catedral.

Mesmo os grandes escritores cedem à pressão editorial, que os levam a escrever sem grandes apuros em nome do mercado e dos cifrões. Mas, quando se alcançou o patamar de um Nobel, como é o caso, não há necessidade disso, imagino, talvez incorrendo em ingenuidade. E para o nosso idioma parece uma providência zombeteira dos deuses da literatura a coincidência de num enredo bastante picante ter um personagem chamado Rolando Garros...

Se era para resgatar o cenário político de seu país à época, ficou a desejar, pois algumas passagens são absolutamente inverossímeis. Por exemplo: o maior minerador do país, empresário de relações pessoais poderosas e dos círculos presidenciais, sem qualquer prova, vai parar na cadeia com presos comuns, em razão de uma simples declaração de uma assessora de um jornal de fofocas e escândalos.

            Mais emocionante que o livro foi mesmo aquela quadra da história peruana, quando os fanáticos seguidores de Abimael Guzman e seu Sendero Luminoso resolveram fazer a Revolução da Quarta Espada desatando uma sangrenta onda terrorista na qual milhares morreram, e o prejuízo material foi astronômico. Havia, ainda, os Tupac Amaru, liderados por Vitor Polay. Era o caos.

            Foi, então, que surgiu um aparentemente despretensioso engenheiro de ascendência japonesa, Alberto Fugimori. Eleito presidente, cedeu à tentação de atender ao clamor popular por um “homem forte” para “botar ordem na casa”. Deu um golpe e passou a governar pela confortável via do decreto.

            O fim disso nem de longe se reconhecia na euforia inicial: desordem econômica, social e rastro de sangue. Bem América Latina.

            Vargas Llosa foi o candidato derrotado naquelas eleições em que era o favorito. Por esse mau livro sobre aquela época, pode-se dizer que, uma vez mais, Fugimori o derrotou.

 

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