Sobre Alexandre Maia Lago

Captura de tela de 2017 06 28 00 10 21ALEXANDRE MAIA LAGO é advogado graduado pela UFMA desde 1993. Um apaixonado por história, filosofia e literatura, possui uma coluna dominical no Jornal Pequeno dedicada a assuntos literários.

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Qualquer livro sobre uma peça de teatro, obviamente, não rivaliza com a própria peça encenada, possuidora de graça e vida próprias dos palcos para onde foi elaborada. Aqui, fizemos uma esforçada condensação da história.

Harpagão é um velho rico e de uma avareza sem defeitos. Ver seus filhos conversando em voz baixa, ouvir um cachorro latir na rua ou receber uma inesperada visita tinham o mesmo significado: queriam furtar seu dinheiro. E mesmo quando expulsa alguém de sua casa, revista-o minunciosamente para certificar-se de nada estar sendo subtraído.

Cleanto e Elisa, filhos do avarento, sofrem as privações materiais impostas pelo pai, para quem qualquer pequeno gasto é um atentado ao seu dinheiro.            

Para driblar esse bloqueio econômico e suprir necessidades, o filho costuma recorrer a Simão, corretor de um misterioso e insuperável agiota, cujos empréstimos corriam juros extorsivos tão desavergonhados quanto os da nossa Receita Federal. O agiota orgulhava-se, no entanto, de poder fazer uma “caridade aos necessitados”.            

Qual não foi a surpresa de Cleanto ao descobrir ser o terrível argentário o próprio Harpagão, que, por sua vez, não gostou nada de saber do filho recorrendo a “tão condenáveis empréstimos”.

O jovem se apaixona por Marina, uma vizinha pobre, e teme, portanto, a reação do pai. Surpreende-se, porém, ao ouvir Harpagão se dizer apaixonado pela mesma moça, pretendendo com ela se casar. Tem início uma rivalidade entre pai e filho.

A filha Elisa planeja, em segredo, casar-se com o criado Valério. E este, buscando cair nas graças do futuro sogro, usa a estratégia de elogiar e concordar com os absurdos do avarento. No entanto, a mão da jovem já foi prometida ao senhor Anselmo, pela razão deste não exigir dote, condição que para Harpagão se sobrepõe a qualquer defeito. Planeja até uma recepção para selar o enlace.

Cuidando de detalhes da festa, Harpagão é rigoroso nas ordens: limpar os móveis, mas sem esfregar muito para não os gastar; servir vinho misturado a muita água “para não embebedar os convidados”; e só servir a quem pedir. Nada de sair oferecendo. Quanto aos quitutes, não se esquecer de devolver o que sobrar, para ser restituído no preço. Sobre as queixas dos criados aos rasgões na calça e manchas das roupas, ele resolve o problema ensinando boas técnicas de usar o chapéu para encobrir ou ficar encostado à parede ocultando o problema. Pronto! Nada de extravagâncias com roupas novas.

 

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Bárbara, a única mulher dos seis filhos do casal Godofredo e Elisa, parece ter nascido não só sob o signo da irresignação mas também do infortúnio.

Na São Luís do início do século XX, num dos casarões próprios de uma família abastada, vive a personagem central dessa história. O pai, comerciante, e a mãe, dona de casa, criam os filhos com a disciplina e o formalismo daqueles tempos. Diálogo com os filhos eram restritos apenas ao estritamente necessário. Talvez, a mímica faria melhor.

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O país convivia com a desoladora procissão de mendigos. Andavam com os filhos “importunando todos os transeuntes, pedindo esmola” pelas cidades do interior e da capital. Havia ainda um assustador número de delinquentes entre eles.